Quarta-feira, Maio 25

Musikmesse & Prolight+Sound 2018 – Report

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Todos os anos Frankfurt, mais ou menos por altura de Abril, é local de “romaria” para muitos dos envolvidos ou entusiastas de música e de toda a indústria associada, especialmente na criação e produção da mesma.
Esta gigantesca feira tem sofrido algumas mutações, mas de um modo geral, podemos encontrar desde o fabricante de flautas artesanais, até mesas de mistura de estúdio, ou um fabricante de faders e LEDs para os mais diversos equipamentos. Durante anos um dos grandes atrativos era o cantinho dos geeks dos sintetizadores analógicos, área que viu tanto desenvolvimento e expansão nos últimos anos que tem agora o seu próprio certame em Berlin.

Ir à Messe tem sempre os seus “Must”, a salsicha ao almoço na área ao ar livre, encontrar todos tugas da área nos voos de ida e volta, as bolhas nos pés de tanto andar, o cruzar com figuras míticas e estrelas da indústria como Dave Smith, Rupert Neve, Roger Linn, a equipa da Sonic State entre uma série de outras personagens coloridas!
A área de Iluminação e PA inicia um dia antes e normalmente respira-se um ar um pouco mais formal e de negócio, nela estão presentes as grandes marcas com volumes de faturação obscenos. Stands gigantes e apresentações muito interessantes e espantosas de Lazer, 3D entre outras tecnologias de iluminação. Mas também muitos stands, especialmente orientais, de fabricantes de componentes e produtos OEM.

Claro que passeámos um pouco aqui e por aquilo que nos diz mais, com a paragem obrigatória no stand da Funktion-One & Formula Sound, com o seu novo Sub de 24 Polegadas e 100 Kgs de peso e novo EVO. EAW, L’acoustics, Void, etc… Visitas aos nossos tugas como a Next, Jocavi.

Fazendo justiça à forma única que os latinos têm de estar nestas coisas, paramos um pouco nos Italianos que trouxeram um pouco de casa para que todos se pudessem sentir em casa. Um grande parmesão e gressinos e outras coisinhas para manter os visitantes “agarrados” ao seu stand.

Mas vamos então á Musikmesse propriamente dita!

No Foyer entre os Halls 5.1 e 6.1 esteve a DJ Con, esta área pretendia ser uma zona dedicada aos DJs com stands específicos e workshops, palestras, demo, live set’s etc… até porque por vezes há queixa de alguns expositores e visitantes de que esta zona é algo ruidosa. A verdade é que acabou por ficar um pouco perdida do resto do evento e por vezes o som tornava-se efetivamente ensurdecedor pois havia alguma tolerância. O facto de nenhuma marca ter guardado nenhuma novidade significativa para apresentar neste certame também não ajudou.
 Da minha parte posso dizer que o facto de ter chegado um dia antes me possibilitou ver e testar alguns dos produtos com calma e sem grandes confusões. Por isso serviu o propósito.

Mixars Duo MK II

À entrada do lado esquerdo tínhamos o stand da Mixars marca que tem vindo timidamente a desenvolver produtos que considero muito interessantes e a preços razoáveis, o design é discutível, mas no meu entender têm um aspecto (e são efetivamente) muito sólidos e espartanos. Ficamos com a distinta sensação que quando olhamos percebemos de imediato o que cada umas das coisas faz. Ora no meu dicionário isso é muito bom.
Quero com isto dizer que não tem néons nem deita foguetes. A gama não é grande e tudo o que tem está suportado pelo Serato que parece fazer cada vez mais mossa no mercado Traktor. 
2 Pratos (torque 4,8 kg) com braço direito ou curvo, duas mixers. Uma de 2 canais battle-style e outra de 4 mais club, embora claramente a piscar o olho aos “estilos urbanos”) e por último um controlador para DJ que aguarda apenas o próximo update do Serato para começar a ser comercializado.
Em resumo a marca e os produtos são excelentes para o preço, mas pela frente estão os gigantes da industria, por isso só muito marketing e preços super atrativos vão criar o interesse que merecem. Fiquei bastante impressionado, e como referido o preço é muito bom para a qualidade MAS talvez não seja ainda “barato” o suficiente para mover o mercado”.

A marca tem ligação à italiana RCF que quis desenvolver uma linha de DJ com marca própria e produtos de qualidade. Nesta área DJ Con em particular estava bem patente os grupos que congregam diversas marcas, por exemplo, nesta Mesa/Stand encontrei um monitor que não é MIXARS mas sim RCF. Á primeira vista tem muitas semelhanças á Gama CMS da Focal (RCF Mytho 6). Infelizmente as condições acústicas nunca permitiria uma boa avaliação da qualidade, mas a marca aponta para os 1200€ para um Par (modelo 6.5”) pelo que esperamos que não seja mau 😉

Podemos observar um sistema de waveguide, o formato anti-ressonância da caixa, parece ser em alumínio e na traseira temos muitas possibilidade de configuração (por intermédio de pequenos DIP Switches e claro DSP).

Inevitavelmente toda a atenção parecia estar no stand da direita, precisamente o grupo que em termos globais representa as marcas de maior peso.
Rane, Denon, Numark, Akai, Alesis, entre outras. Neste caso estavam presentes as jóias da Coroa, diria eu com toda a propriedade, pois foi a forma de muitos dos visitantes tomarem conhecimento na primeira pessoa de muitos produtos que nem sempre chegam ás lojas de países mais pequenos ou modelos muito recentes como era o caso da Rane.

Denon DJ SC5000 Prime

Nenhuma foto ou Vídeo faz o mínimo de justiça aos modelos Denon DJ Prime em particular os SC5000 que “ao vivo” são realmente muito bons, robustos e simples de usar. O ecrã, a informação e detalhe que apresentam é incrível. Repito, ver vídeos, reviews é uma coisa, mas tocar é ainda assim surpreendente.
Todos sabemos que a Pioneer não perderá a sua hegemonia, e muito menos de um dia para o outro, mas terá de prestar atenção pois temos uma unidade que parece mais um controlador que um leitor multi-formato, digo-o no sentido em que temos botões físicos para quase tudo, dispostos de forma lógica e intuitiva. Agrada-me particularmente os beat jumps com que podemos saltar pedaços que não nos agradam na música, 8 pequenos PADs que podemos usar para as mais diversas funções como hotcue, loop, slice, roll. Tudo bem arrumado e muito imediato, com materiais nobres e que oferecem confiança ao toque.

Durante anos a Denon fez equipamentos poderosos mas quase sempre confusos ou complexos de usar precisamente por terem tantas possibilidades. Não é de todo o caso aqui. Mas e se vos dissesse que cada deck pode tocar duas faixas em simultâneo (saídas individuais para cada), escolhendo o utilizador qual quer controlar!? Pode parecer estranho Mas pensemos, se conseguem usar 4 decks em qualquer controlador (estilo SX2, S4, MCX8000) então conseguem com a mesma facilidade tocar com 2 Denon SC5000 com 4 “decks”.

Denon X1800

A acompanhar estes tínhamos a mesa de mistura Denon X1800, a maioria dos DJs descarta a Denon porque esteve demasiado tempo afastada das cabines, mas quem tem algum tempo de DJing sabe que foi outrora a marca dominante para quem precisava de tocar CDs.

Voltando à 1800, o óbvio competidor é a DJM900 o club standard atual, pensem agora que por exemplo na 1800X temos o Hub de rede para ligar até 4 unidades SC5000 e um computador, temos os filtro por canal, mas também outro knob individual para aplicar os sweep efects adicionalmente temos os channel efects que se podem aplicar individualmente ou master. Temos um sem número de configurações no Menu. Os ecrãs são O-Led, duas portas USB para dois DJs em simultâneo (trocas sem problemas, duplas, B2B, etc…). Temos uma touch strip para selecionar os tempos com opção de aplicação imediata do efeito ou não! MIDI OUT algo que muito falta faz quando queremos por exemplo sincronizar caixas de ritmos, sequenciadores ou outros para performances mais arrojadas ou híbridas.
Enfim acho que provavelmente nada ficou de fora… e mais se pode adicionar com upgrade de firmware, pelo que nos disseram o preço também é uma muito agradável surpresa.

Presentes estavam também o Denon MCX8000, controlador, ou devo dizer leitor multi-formato (USB), com toda a qualidade do hardware reconhecido à marca e dois ecrãs que permitem o controlo total sem ter de tocar num laptop! As características permitem usar até para controlo de vídeo, até porque este MCX8000 é independente e funciona como tal com o software da Denon, o ENGINE que faz parte da própria unidade. Claro que se preferimos podemos preparar tudo no nosso laptop e depois usar no MCX8000, mas o que temos pela frente para que fique claro é um duplo leitor de formatos digitais (com possibilidade de controlar até 4 decks) e uma mesa de mistura de 4 vias!!
 A gama fica preenchida com uma segunda bancada com dois pratos Denon VL12 e novamente uma X1800. Os pratos não são OEMs como quase todos os que populam o nosso mercado, mesmo os de marcas mais conceituadas, este é um prato realmente redesenhado de base! Pelo bocadinho que passei com eles não me parece que a adaptação seja complicada, a recuperação do platter e pitch é muito boa mesmo tal como a absorção de vibrações. Os pés e estrutura inferior são aborrachados já o topo é metal, retirar o platter confronta-nos com o seu peso algo surpreendente, a quantidade e forma da borracha absorvente no interior do platter é bastante maior que um Technics, diria quase 1kg mais! Um motor de 5Kg de torque completa a oferta.

Uma vez mais fica patente o quando o nosso mercado tem estado alheado de soluções que não sejam apenas os modelos com mais fama (best sellers), e isso é em ultimo caso algo que nos empobrece a todos, claro que isso não significa que toda a gente os iria comprar mas dá-nos uma visão diferente do valor intrínseco dos produtos, novas ideias, inovação e preços competitivos, etc.…
Curiosamente também encontrei monitores pensados para Djing numa escala mais caseira. Pareceram-me bem, mas sem ideia de preços e sem podermos ouvir com mais detalhe é difícil emitir qualquer opinião. Havia em utilização dois pares de SM50, mas também um sistema de Mini-PA com tops de 12” (existe uma versão de 8”) e 1000W e um Sub também de 12” e 1000Watts.
Contrariamente ao que acontece quase todos os anos os ajudantes nos stands pareciam ser realmente entusiastas e não vendedores pelo que foi comum saberem explicar, demonstrar o produto, mas saber pouco sobre prazos de disponibilidade, preços previstos etc. .

Só faltava o slogan “I’ve seen and touched the Future”.

Rane-Twelve+Rane-Seventy-two

Mas este stand também agregava a Rane, e de que maneira, ainda que nem sempre fosse fácil conseguir experimentar pois estava sempre lotado!! Não era para menos pois tínhamos 2 “Twelve” e uma “Seventy-Two”!

Só faltava o slogan “I’ve seen and touched the Future”. Para quem não tenha conhecimento e resumindo porque o artigo já vai longo, o twelve parece e funciona como um prato excepto que elimina a maior das preocupações de quem trabalha com vinil, rumble, agulhas partidas ou maus contactos, discos riscados, agulhas que saltam e feedback… porquê e como? Não têm braço nem agulha… e… não tem botão de sync. Um bom pitch com um toque sólido, deslizar suave mas não leve demais, e ainda uma faixa de toque com revelo demarcando bem diversas posições e que permite marcar hotcue’s, disparar ou apagar, o motor tem um torque de 5kgs. Na traseira podemos acionar um switch para que trabalhe com menos força se assim preferimos. Temos 4 botões que nos permitem selecionar qual o deck que estamos a controlar (sim podemos controlar até 4 decks com apenas 1 twelve. A disposição é de battle ou turntablist/scratch, no entanto podemos usar de outra forma claro e mais próxima do DJing tradicional. O Pitch é de 8%, 16% ou 50%.

Podemos também por uma questão de preferência usar a rotação a 45 rpm ou 33,3 . A construção é soberba tal como a robustez, até a questão do ON/OFF funciona como seria esperado, desligar faz o motor abrandar progressivamente até parar mas continuado a emitir sinal.
Convém reforçar que as saídas deste aparelho são apenas USB!! Não está a reproduzir som, é um controlador, mas um controlador com o toque de um prato, o que na minha modesta opinião é a combinação perfeita entre o “analógico” e o “digital”. Todas as vantagens dos sistemas digitais de DJing com o toque mais intuitivo que se conhece.

A isto junta-se uma das novas mesas de mistura que faz parte dos 3 produtos que preenchem esta nova fase de reinvenção da RANE, a SEVENTY-TWO, a sucessora de tudo o que de melhor a marca tem feito sendo claramente a líder de mercado e das preferências com os modelos TTM, as características, capacidades e possibilidades são estonteantes seja em isolamento ou ligada a um computador com o Serato!
O que possivelmente mais sobressai é o ecrã multi-toque onde podemos ver as ondas de cada uma das faixas que tocamos, e toda a restante informação relevante, e obviamente onde temos duas portas para ligar cada um dos dois TWELVE, e ainda mais duas para dois computadores permitindo a troca ou colaboração de dois DJs sem sobressaltos ou confusões. De resto temos controlo sobre sampler, filtros, efeitos internos e do Serato, Slicer, Loops, Hotcues, Transpose, etc. . 14 Modos (com os packs extra do Serato) diferentes para os PADs, PADs esses que são derivados da marca irmã e referência, a AKAI. Verdadeiramente um super controlador para Serato e Uma super mesa para scratch/turntablism num mesmo produto. A qualidade de construção é a mesma de sempre se não mesmo melhor que as anteriores TTMs.
Uma possível (ou será apenas esperança minha?!) SEVENTY-FOUR é algo que nem consigo exatamente imaginar que mais possa trazer, para além dos 4 canais claro. Bom na verdade já estou a pensar numa mesa que mostre as 4 waves de 4 decks e um sequenciador para podermos acrescentar e sequenciar loops/ samples, etc… Mas deixem-me ser claro que isto é apenas imaginação minha, não tenho qualquer informação, dica ou confirmação de algo neste sentido (é pena 🙁 ).

Este mercado do Djing parece caminhar cada vez mais para deixar os Laptops em casa mas não perder as vantagens do software, basta ver o sucesso de unidades independentes mas que à primeira vista poderíamos pensar serem meros controladores. Um expoente disso mesmo é o MCX8000 da Denon.
 Mas por outro lado os DJs vão querer a liberdade de usar os leitores independentes das mesas de mistura.
Assim de repente o grupo inmusic parece levar a vantagem pois a colaboração tecnológica entre os engenheiros pode fazer crescer um produto que seja um misto do TWELVE com o SC5000, ou se quiserem um SC com um plater igual ao Twelve mas que gire!

Vamos ver o que o futuro nos reserva.

A Dance Club viajou para Frankfurt a convite da Kamotta Portugal/Musikmess





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