Terça-feira, Junho 27

Miss Sheila em Entrevista

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O percurso de Miss Sheila levou-a no início da sua carreira a ser convidada para abrir para DJ Vibe no Rock’s, foi a sua oportunidade e a DJ agarrou-a. Pouco depois assinava uma compilação para a Kaos Records com o nome do club de Vila Nova de Gaia. Na produção estreou-se em parceria com Joeski em “Sheila’s Temptation” e nunca mais parou.
Foi capa da revista Dance Club de Maio de 2003, há precisamente 14 anos, e nessa entrevista afirmava que um dos seus objectivos era ter uma label sua. Já tem, chama-se Digital Waves e é com este selo que faz a sua curadoria musical, sem olhar a nomes, apenas pelo amor à música. Característica que, aliás, mantém desde o início da sua carreira. Falámos com ela para saber mais.

A Kaos Records anunciou o seu regresso este ano, com reedições de clássicos e músicas que formaram a cena de dança nacional. Sabendo o papel que o António Cunha da Kaos teve na tua carreira, e fala-nos dele, achas que este regresso é positivo?
Em relação ao regresso da Kaos Records, e das suas reedições acho que é muito positivo. Para além de disponibilizarem um catálogo de imensa qualidade num formato digital, e consequentemente de mais fácil acesso, é também uma oportunidade para novos talentos conhecerem praticamente todos os excelentes “releases” que tivemos em anos anteriores. O Cunha foi sem dúvida uma pessoa muito importante na minha carreira assim como na dance scene nacional, foi o verdadeiro impulsionador cá, que sempre acreditou no meu talento e meu deu oportunidades fantásticas para mostrar o meu trabalho. Também desenvolveu um fantástico cargo enquanto label manager da Kaos assim como promotor, agente e manager artístico.

É sempre complicado fazer um apanhado das tantas coisas que se passaram na nossa ausência mas vamos tentar recapitular: Tens tocado, tens editado e tens uma label tua, a Digital Waves, mas também tens editado por editoras internacionais como a Natura Viva, a Hypno, a Tango ou a Nanowave entre outras, sendo dona de uma editora o que leva a editar por outros selos?
O facto de criar a minha editora vem de um sonho que tinha desde o início da minha carreira, com a Digital Waves posso gerir todo um catálogo de produções, mas acima de tudo dar a conhecer vários talentos que temos no nosso país e que infelizmente muitas vezes não têm a possibilidade de obter respostas e editar suas músicas, isso deixa-me bastante satisfeita pois tenho encontrado excelentes artistas e editado muita música boa feita por produtores menos conhecidos, mas com grande potencial.

“Editar temas originais por outras editoras é um processo quase obrigatório nos dias de hoje, devido a um mercado cada vez mais exigente onde a produção desempenha um papel fundamental no currículo, sendo um dos principais motivos que leva à distinção e reconhecimento internacional.”

Durante este tempo também fizeste um documentário – “The Story So Far” – em que recordas a tua carreira, quer pela tua voz, quer através da voz de colegas e parceiros de trabalho, onde se incluem o DJ Vibe, o teu irmão e anterior manager, o Jiggy, entre muitos outros. Com uma carreira ascendente porque é que sentiste necessidade de contar a tua história?
Foi uma ideia que vinha a ser desenvolvida e novamente saliento, num mercado cada vez mais exigente e em constante mudança quis relatar o meu percurso , de forma a quem conhece relembrar assim como a nova geração conhecer e perceber de onde vem e o que é a Miss Sheila.

“Se tenho saudades do vinil? Não… Não tenho, porque penso que as coisas hoje são mais práticas”, é uma das tuas frases no documentário e é de uma lucidez e franqueza admiráveis. De facto a tecnologia veio facilitar muito a vida (e as costas) aos DJs mas há uma resistência do vinil – enquanto formato para um nicho – que é surpreendente, como é que vês este facto?
Na realidade acho um tema muito subjetivo, cada artista tem a liberdade de se expressar, e essa liberdade também deve ser respeitada da forma como é feita. No meu caso em particular senti uma necessidade de avançar, de me atualizar e criar um novo setup mediante as minhas necessidades para atuar, para além de estar limitada ao vinil, cds, efeitos externos, etc.  Contudo respeito o método de trabalho de cada colega de profissão, pois na realidade o que realmente interessa é a satisfação final do público.

“o que realmente interessa é a satisfação final do público.”

Enquanto dona de uma editora, a Digital Waves, como é que vês o panorama musical, e a indústria, a nível mundial? A música, e a edição musical, tornaram-se apenas instrumentos de promoção?
Nos dias de hoje a edição musical é praticamente obrigatória, devido ao elevado numero de DJs, a produção é a forma mais direta de diferenciação e reconhecimento. É claro que está ligada à qualidade do trabalho como DJ aliado ao estúdio e edições.

Enquanto A&R da tua editora o que procuras na música de novos artistas para assinar? E para onde te podem enviar promos para a editora?
Basicamente procuro música que me agrade e diga algo, não dou importância ao nome do produtor ou posição no mercado, pois como já salientei umas das coisas que mais me satisfaz com a Digital Waves é dar a conhecer novos talentos. Para enviarem demos as formas mais diretas são através do SoundCloud da editora ou email: digitalwaves@live.com

Maio é o mês em que te estreias em Ibiza, no club B12, como são as tuas expectativas? Como surgiu esta oportunidade?
A data de Ibiza surgiu após o convite do Club B12, onde o meu management após algumas conversações achou por bem criar uma parceria de forma a garantir o sucesso do evento assim como todas as condições e marketing inerente do mesmo. As expectativas são boas, é com grande satisfação que já estou e Ibiza e recolho bom feedback para o evento onde para além de mim figuram alguns dos mais relevantes artistas locais.

Em Julho vais atuar na EDP Beach Party, presumimos que para quem está mais habituada a tocar em clubs, um palco para largos milhares de pessoas exija outra preparação. O que estás a preparar para esta beach party?
A minha presença na Edp Beach Party surgiu no seguimento da minha parceria e a convite da Nova Era onde tenho um programa de rádio semanal intitulado Digital Waves Radio Show (nome da minha editora). No evento estou encarregue de fazer o Sunset de Sábado, 1 de Julho, e a minha preparação será como habitual, tendo em conta a hora, evento, local, público, etc. Adaptando estes factores ao meu estilo musical.

A Dance Club fez 21 anos no último mês de Maio, e como todos sabem estivemos ausentes durante algum tempo. Sentiste falta de um meio de comunicação especializado e atento como a Dance Club?
A Dance Club sempre desempenhou um papel fundamental na divulgação da cena electrónica em Portugal, assim como devemos também bastante ao facto de toda a informação e apoio que foi fornecida e apresentada ao longo dos anos. Fico muito contente que tenha regressado e espero que seja em força. Desejo os votos de muitas felicidades e sucesso.

Texto: Sónia Silvestre

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