Terça-feira, Agosto 22

Gonçalo em Entrevista

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É Português mas foi em Espanha que construiu toda a sua carreira. DJ, Produtor, Promotor e Director Artístico de festivais, Gonçalo é um espírito inquieto e a Dance Club quis falar com ele, em vésperas de actuar pela primeira vez no Tomorrowland, e de regressar a Lisboa para o Brunch Electronik.

 

Quando e como é que a música entrou na tua vida?
A musica entrou na minha vida aos 5 anos, com o meu primeiro vinil, um 7” dos Duran Duran, o “Girls On Film”. Depois veio o Conservatório, as bandas de rock até chegar a DJ. Posso dizer que a música sempre esteve presente na minha vida.

Viveste muitos anos no Algarve, o que recordas da cena algarvia com mais saudades?
Locomia e Kadoc eram os “super clubs”, com DJs como Plastikman, Frankie Knuckles, Carl Cox, etc. Depois tinhas sitios como o Mitto, Montinho, ou o Capítulo V onde também tinhas oportunidade de ouvir boa musica e bons djs. Foi a época dourada da electrónica no Algarve, vinha gente de todo o país e do estrangeiro as nossas festas.

Como é que começa a tua faceta de DJ?
A minha carreira como DJ começou em Leiria mas foi no Algarve que descobri a música electrónica em todo o seu esplendor. Toquei várias vezes na Kadoc com a Kaos, aliás, a primeira pessoa a apostar em mim e que sem ele nunca teria chegado onde estou, foi o António Cunha. Nunca tive oportunidad de agradecer-lhe todo o que fez por mim.

Como, e porquê, decides mudar-te para Sevilha?
Não foi uma decisão imediata. Comecei a ir como DJ convidado a clubs como a Catedral e o Weekend, nessa altura trabalhava na Alternative Shop que mais tarde foi a Bimotor DJ Algarve e aproveitava para levar discos para os DJs residentes dos clubs onde tocava. Com o tempo acabei por montar uma loja de discos e a consequência disso foi mudar-me de armas e bagagem para Sevilha.

Foram muitos anos investidos em Sevilha, a trazer artistas, a trazer festivais como o Creamfields, a tocar como DJ, mas sempre a desdobrares-te em inúmeras funções. Como recordas esse período da tua vida?
Essa altura era fantástica, estava a viver em Sevilha o que tinha vivido uns anos antes no Algarve. Grandes festas com grande produções com artistas “top”… era a cidade perfeita para qualquer “raver”, tinhas festa de Quinta a Domingo!

Deixaste um legado impressionante na tua passagem por Sevilha, não só porque a puseste no mapa dos festivais de Verão, mas também porque trouxeste tantos DJs à capital Andaluz que a lista é impressionante e inclui Jeff Mills ou Arika Baambataa, entre muitos outros. Coordenar a tua carreira de DJ com a de promotor foi complicado?
É mais difícil separar a carreira de promotor de de DJ do que coordenar ambas as profissões. São trabalhos completamente diferentes mas têm a mesma origem – a música – e às vezes as pessoas não entendem que para saber o que quer o público em geral, tens que conhecer os artistas do momento e sobretudo tens que passar muitas horas no “dancefloor”…seja a tocar ou a dançar. 🙂

Como é que surge o Dreambeach Villaricos? Criar um festival de raiz é complicado mas o Dreambeach pareceu fluir muito bem. Qual é o segredo?
Os tempos mudam, e trabalhar com grandes marcas já não tinha sentido. Queríamos fazer um festival à imagem do nosso publico, e com o Creamfields tínhamos algumas limitações. E o resultado está à vista, em 5 anos somos um dos principais festivais em Espanha, com mais de 45.000 pessoas por dia.

Em 2013 decides mudar para a capital, Madrid, aumentando a distância de Portugal mas colocando-te no centro da cena espanhola. Porquê esta mudança?
Tive um convite para entrar na Magnum Bookings, uma das maiores agências nacionais… e também a cena electrónica em Sevilha começava a decair, cada vez havia menos clubs e menos “onda”. Madrid é uma grande cidade, cheia de oportunidades.

Em Madrid estendes ainda mais a tua vida multifacetada dentro da cena electrónica: juntas-te à equipa da Magnum Bookings, ao staff da editora Alma Soul Music, enquanto continuas a tocar. É interessante que a maior parte dos DJs não gosta da obrigação de ser multifacetado no início de carreira, tu, pelo contrário, abraças a diversidade. Porquê?
Tenho uma personalidade irrequieta, sinto necessidade de estar 24h activo queria conhecer todos os lados possíveis deste enorme mundo electrónico. Com o tempo, decidi deixar algumas coisas e neste momento dedico-me “apenas” a minha carreira de DJ / productor e à direção artistica do DreamBeach e Weekend Beach.

A tua incursão na produção musical levou-te a editar pela Stereo, Amoeba e Clarisse, como é que tens tempo para produzir? Há novos temas em breve? Quais e são editados por onde?
Sim, depois do verão volto ao estudio. Tenho um EP na Toolroom e algumas ofertas de outras labels. Quero encontrar a minha identidade musical, acho que só agora posso atingir esse ponto de maturidade.

Apesar de Espanha e Portugal serem países vizinhos nunca houve muita coincidência musical nem “troca” de artistas, ou seja, poucos são os Espanhóis que tocam em Portugal, e poucos são os Portugueses que tocam em Espanha. Na tua opinião porque é que isto acontece?
Boa pergunta… para a qual não tenho resposta. Lembro-me de um jantar com o Carlos Manaça na Foz, falámos sobre este tema e nao chegamos a nenhuma conclusao. Mistérios…

Este Verão vamos poder ver-te em Lisboa. Que queres trazer aos teus conterrâneos?
Infelizmente este ano não toco no Neopop, toquei no ano passado e adorei. Mas cada vez mais tenho convites em Portugal e este verão toco no Brunch Electronik em Lisboa, no Private Breakfast no Porto e, quase de certeza, antes do fim do ano no Gare. Adoro tocar em Portugal, como em casa nenhum sitio.

Gonçalo actua no Tomorrowland no próximo dia 28 de Julho. No Resistance no Privilege de Ibiza a 22 de Agosto e em Lisboa no Brunch Elektronic a 27 de Agosto.

Mais em: www.facebook.com/goncalomusic

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