Domingo, Dezembro 17

Fauvrelle: A Entrevista Que Faltava

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Nome maior da cena nacional, DJ e produtor de créditos firmados, trocou o Porto por Barcelona durante alguns anos. Regressou cheio de novidades e projectos, a Dance Club foi descobrir mais.

 

A tua carreira deu algumas reviravoltas nos últimos anos: viveste em Barcelona, tocaste em alguns dos clubs de referência mundiais como o Zouk de Singapura ou o Womb de Tóquio, e editaste música, em particular um tema – “Make It Better” – que chamou a atenção do Pete Tong, um peso pesado na cena electrónica. Como foi ir do Porto para Barcelona, o que é que essa mudança trouxe de novo à tua carreira?
Penso que a minha carreira está em constante mutação, talvez por gostar muito de música, sem olhar a géneros! Faz parte do meu ADN crescer e cada momento foi importante para desenvolver a minha sonoridade actual. Barcelona foi muito importante para quebrar preconceitos e conhecer o mundo com o djing, algo que começou a ser desenvolvido ainda em Portugal. Talvez o detalhe mais relevante sobre os quatros anos, foi a inspiração que a cidade te oferece, estás rodeado por cultura e convives com gente de todo o mundo. Acordava sempre com vontade de trabalhar e fazer sempre mais. Acho que, hoje em dia, já não se pode dizer que Portugal é periférico, claro que viver em Berlim é outra história, mas com edições regulares de bom nível, já podes viajar o mundo e a sede continuar a ser o nosso país.

Acho que, hoje em dia, já não se pode dizer que Portugal é periférico, claro que viver em Berlim é outra história, mas com edições regulares de bom nível, já podes viajar o mundo e a sede continuar a ser o nosso país.

 

Regressado a Portugal quais foram as tuas prioridades?
Foi manter o mesmo ritmo de edições e, criar laços mais fortes, novamente com o público e scene portuguesa. Quatro anos criam um fosso bastante grande e recuperar foi fruto de um trabalho árduo, mas também tive ajuda de bastantes promotores, clubs e amigos de profissão. Além de edições a solo, também voltei a estúdio com o Dj Vibe e criamos um alter ego novo, os Nutons, com o qual obtivemos bastante sucesso através da label do Dixon, a Innervisions. Editei em parceria com os Livio & Roby na editora do Nic Fanciulli, a Saved records e, juntamente com o Serginho, dei ínicio a uma nova editora, chamada Strings.

Quatro anos depois a cena nacional também se alterou, como é que olhas para o mapa actual dos clubs e eventos nacionais? O que achas que poderia melhorar?
Pessoalmente acho que a cena encontra-se bastante saudável, o único reparo é algo que infelizmente não podemos alterar… o número pequeno de pessoas comparando com outros países. Mas penso que Lisboa já consegue colmatar este problema, com o número de estrangeiros a viver na cidade e, muitas pessoas ligadas à música ou artes acaba por ir viver para a capital.

A Strings edita exclusivamente vinil? Conta-nos tudo sobre a tua editora.
A ideia para label surgiu do convite de dois amigos, o Bikas e o César, que tinham criado a Strings para desenvolver eventos na cidade do Porto, mas achamos por bem adicionar a parte artística com a editora. Editar artistas nacionais e desenvolver um catálogo rico em colaborações ou neste caso remisturas de artistas que gostamos. Não editamos exclusivamente em vinil, alguns dos temas encontram-se à venda nas lojas digitais mas, para quem quiser obter a edição completa, o vinil é obrigatório. A ideia surge da exigência do mercado e, pessoalmente penso que, valoriza mais o trabalho do artista, é algo fisico que podes oferecer, trocar e promocionalmente, funciona muito melhor. Não toco vinil, mas compro.

Entretanto tens uma nova parceria com DJ Vibe, os Nutons, como é que isto aconteceu? É uma parceria de produção ou pretendem levá-la às cabines do país?
Estivemos em estúdio e decidimos fazer algo diferente e, realmente conseguimos algo bem diferente! Acho que criamos o nome para separar um pouco a sonoridade que temos a solo. Gosto muito de trabalhar com o DJ Vibe, temos uma boa conexão e ficamos muito contentes quando soubemos que iríamos assinar com a Innervisons! Temos trabalhos novos para editar e em breve vamos desvendar as novidades.

Gosto muito de trabalhar com o DJ Vibe, temos uma boa conexão e ficamos muito contentes quando soubemos que iríamos assinar com a Innervisons!

 

Quais são, e por que editoras, as tuas próximas edições musicais?
Sou pai de uma menina com um ano e meio e, estes dois últimos anos, abdiquei um pouco do estúdio para estar mais presente. Já voltei à carga recentemente e os resultados acho que se vão reflectir no próximo ano.

Para este ano teremos um álbum de estreia. Numa cena em que o EP ou o single são reis porque é que sentes necessidade de fazer um LP?
Sinto que chegou o momento certo, vai ser como escrever um pouco sobre estes anos… vários projectos, vários estilos, tudo reflectido num só álbum. Já poderia ter feito algo do género, mas penso que um álbum, deve ser feito porque sentes e não porque precisa de ser feito.

Já tem nome? Quando é editado?
Já tenho um nome em mente, poderá não ser o escolhido… “Throughout The Years”. Ainda estou em fase de criação dos temas, já tenho alguns terminados, mas ainda não consigo ter uma data concreta.

A Dance Club esteve ausente uns anos, sentiste falta? Achas que faz sentido e há espaço um meio especializado e dedicado à cultura da música electrónica escrito em Português?
Claro que sim, acho que todos os países têm a sua revista ou website especializado. O importante é manter a consistência e apoiar todos os estilos. Por pensar que sim é que aceitei fazer a entrevista e, penso que o apoio de todos, também é fundamental para que o nosso público esteja informado, do que de melhor se faz no nosso país.

Mais em:

www.facebook.com/FauvrellePage
soundcloud.com/fauvrelle

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