Domingo, Dezembro 17

Eva Rap Diva em Entrevista

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Eva Rap Diva sobe ao palco do Vodafone Mexefest no próximo dia 25 munida de rimas certeiras.

Há 9 anos eras um fenómeno no YouTube, não só pelo freestyle mas também por seres parte da primeira geração de rappers femininas de Portugal. Entretanto mudaste-te para Angola. O que te levou a deixar Portugal?

Foi a primeira entrevista que fiz para uma revista. Deixei Portugal por motivos pessoais, não via o meu pai há 12 anos e quando voltei ele pediu-me para ficar, de modo a que pudéssemos compensar o tempo em que tínhamos ficado afastados. Decidi ficar em Angola, comecei a trabalhar e depois decidi que queria investir na música, continuar a trabalhar em algo que faz parte de mim. Não me consigo distanciar da música durante muito tempo. Apesar de residir em Angola vou frequentemente a Portugal, e mantenho uma relação muito forte e próxima com a família e amigos daí. Continuo a manter muitas coisas, e hábitos, de quando morava em Lisboa, por isso sinto que estou meio em Angola e meio em Portugal. Sempre.

Na introdução da entrevista de há 9 anos chamei-te “grande esperança do hip hop feminino made in Portugal”. No próximo sábado sobes ao palco do Vodafone Mexefest, um festival conhecido por ser trendsetter e revelar futuras estrelas. É uma realização pessoal e profissinal?

Eu espero que seja o caminho para uma realização pessoal e profissional no que toca ao mercado Português, porque em Angola há quem diga que eu já ganhei tudo o que havia para ganhar: já subi aos maiores palcos de Angola, já ganhei vários prémios. Como comecei em Portugal, sou uma filha do hip hop tuga, e iria ficar muito realizada se conseguisse fazer o mesmo percurso que fiz em Angola em Portugal, penso que o Vodafone Mexefest pode ser uma porta de entrada para que isso aconteça. Quando recebi o convite fiquei surpreendida, muito feliz e nervosa.

“Sou filha do hip hop tuga”

Há uma evolução musical enorme desde 2008 até hoje. Saíste do YouTube e do freestyle e exploraste outras vias musicais, contudo mantiveste o tom e a assertividade que te caracterizam. Como é que vês o teu crescimento musical?

Penso que foi uma evolução natural, ao longo do tempo fui pesquisando e consumindo mais música. Procurei novas inspirações, tentei melhorar, ouvi críticas e ganhei maturidade. Tudo isto me fez crescer musicalmente mas também amadureci enquanto artista, passei a perceber o que quero fazer, representar e explorar. Tudo isto se reflecte e ainda bem que é audível, fico feliz por saber que se nota.

Em Julho lançaste o “Beleza Não é Tudo”, um tema que é uma resposta directa ao sexismo em geral, mas em particular no hip hop. Pensas que é fundamental que existam mais vozes femininas no hip hop para dar a dica certa?

Sim, devem existir mais vozes femininas, para posicionar os discursos machistas e sexistas que existem no hip hop, e na música em geral, em relação à mulher. Se não forem as mulheres a tomar uma posição e a exigir respeito, os homens não o irão fazer. É uma causa nossa, um problema que nos afecta enquanto mulheres. Temos que ir à origem do problema e lá explicar, mandar as punchlines, mostrar que existe uma perspectiva diferente: a das mulheres que reconhecem o seu potencial, feministas e empoderadas. Nós mulheres sabemos que somos mais fortes, já ninguém nos engana mais.

 

 

 

No “Um Assobio Meu” usas a palavra para apontar o dedo às questões sociais e económicas de Angola. A canção ainda é uma arma?

A música é uma arma poderosa. A palavra é uma arma. A canção é uma arma. A arte é uma arma. Todo o tipo de comunicação é uma arma. Quando um artista faz uma música que fala de um modo pejorativo das mulheres, ele está a usar o seu poder de um modo negativo, de uma forma que molesta as mulheres. Quando um artista faz uma música que questiona a condição social e económica, que fala da corrupção e da desigualdade, ele está a usar a música como uma arma para contestar tudo isso. Tenho esta noção – de poder – quando estou a trabalhar, por isso falo do amor, falo das questões da mulher, de Deus, e também da desigualdade e temas sociais.

Quais são os próximos passos?

Normalmente não cometo o erro de dizer quais são os próximos passos. Acho que devemos trabalhar em silêncio e deixar o trabalho falar por si. Vai acontecer muita coisa em 2018!
Podem ouvir o último álbum, “Eva”, gratuitamente no Soundcloud oficial: https://soundcloud.com/evarapdiva

Eva Rap Diva actua no Vodafone Mexefest, Sábado, 25 de Novembro, às 22h no Palácio da Independência em Lisboa.

 

 

 

 

 

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