Quinta-feira, Outubro 24

DJ: Quando arranjar um manager ou uma agência?

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Este deve ser um dos temas mais quentes da nossa área. Claro que qualquer artista precisa de management e de booking, e se possível logo desde o início, mas quando é a altura certa?

A resposta é bastante mais simples do que parece: só pode haver gestão de carreira quando há uma carreira, ou seja, quando há alguma coisa para gerir. Se um artista ainda não editou música, se um artista ainda não tocou um determinado número de gigs, se um artista ainda não criou procura – procura no sentido de Lei da Oferta e da Procura; procura no sentido de ter um público que o segue e que compra a música dele e vai vê-lo tocar; procura no sentido de os donos de clubs e promotores considerarem que vale a pena contratá-lo. Ah! Então é isso. Quero com isto dizer que há todo um percurso a trilhar que, até por uma questão de formação, os artistas o devem fazer sozinhos. Se nunca enfrentarem as dificuldades de tentar editar uma música, como é que vão saber dar valor quando tiverem alguém que o faça por vocês? Se nunca sentirem como é complicado marcar uma data num clube A ou num festival como é que vão perceber as questões do vosso booker mais tarde? Encarem o período inicial da vossa carreira como um período de formação no qual vocês vão ter que ser tudo: manager, booker, marketeer, gestor de redes sociais, label manager, etc. É duro mas compensa. Por vários motivos, primeiro porque vos dá conhecimento sobre cada área em que a vossa carreira terá repercussão; segundo porque vos obriga a valorizar o trabalho e a compreender as dificuldades de quem um dia o fizer no vosso lugar; 

E quando é que sabemos que chegou a hora de ter um manager ou uma agência? Quando tiverem procura e um público que vos segue. Quando tiverem datas regulares. Quando tiverem alguns temas editados. Lembrem-se que com uma agência de booking e um management há comissões a pagar.

E como é que se faz para ter um manager ou agência? Diria que não se procura, são eles que vos encontram. Os managers e as agências estão de olho no mercado, têm “olheiros” tal como no futebol. E tudo o que um artista deve fazer é tentar dar nas vistas pelas melhores razões – porque editou numa editora de renome internacional; porque o radioshow de um DJ importante seleccionou um dos seus temas para tocar; porque vai tocar num evento especial (por exemplo um festival de Verão), etc. Ou seja, por maior que seja a vossa necessidade de ter ajuda controlem-se e percebam que procurar por vezes pode limitar as vossas hipóteses. Ou seja, é preciso trabalhar e saber friamente quando é que é hora de ter um management e uma agência. Não é quando vocês precisam, é quando já trabalharam o suficiente para ter “uma carreira”. 

Fui contactado por um manager ou agência, e agora?

Vamos distinguir as coisas. Management: alguém vos contacta no sentido de se propor a fazer o vosso management. Qual é a primeira coisa a fazer? Pedir uma reunião. A relação entre um manager e o seu artista é uma que requere um encontro de várias coisas: de valores – é imperativo que a visão de um artista e a visão do manager seja igual pelo menos em termos de valores, ou seja, se um artista faz tech house não faz sentido o manager querer força-lo a fazer EDM. A visão artística é do DJ/produtor/cantor e tem que ser respeitada e partilhada pelo manager. Este factor é fundamental, sem estarem reunidas estas condições não avancem para nenhum management. 

O segundo factor, não menos importante, é a confiança. E uma confiança de ambos os lados. O artista disponibiliza o seu talento e o seu trabalho para o manager potenciar ao máximo e o manager disponibiliza o seu tempo e trabalho em função de potenciar um artista. É uma relação de iguais no que toca à confiança. Além disso, o manager terá a parte monetária nas mãos pelo que a confiança é fundamental. 

O terceiro factor é o tempo. Ter um manager um ano não é suficiente para ver grandes resultados (bem, a não ser que o manager seja tão mau que não há resultados nenhuns). Aqui gostava de vos dar um exemplo, o do Skrillex, que na IMS – Internactional Music Summit – de Ibiza referiu há quanto tempo está com a mesma equipa de management.

SM: “Quando cresces vais precisar de mais pessoas, mais corpos para fazer coisas, por isso o que conta é fazer verdadeiras parcerias. (…) se estás a apostar em ti talvez demore um pouco mais até conseguires sustentar tudo. Demorou 9 anos a chegar onde estou agora com a mesma equipa, com o mesmo manager. Foi assim que o fizemos, não houve pressa em ganhar cheques gordos. Nós sentámo-nos e levámos o tempo que precisámos.”

Esta foi a opção do Skrillex e do seu management, e serve como ilustração do tempo que ele precisou – sem pressas – para chegar ao lugar onde está hoje. 

No que toca ao agenciamento é bastante mais fácil. Se uma agência vos contacta para poder vender as vossas datas só têm que verificar que a agência é credível e ter uma reunião prévia para estabelecer os limites, ou seja, explicar para que clubs e eventos querem ou não querem ser vendidos. É evidente que no início não há muita opção de escolha mas se o vosso objectivo é serem reconhecidos como DJs evitem tocar em casamentos e escolham bem os bares onde tocam. 

Como fazer auto management e booking?

É raro o artista que consegue ser um DJ/Produtor/Cantor talentoso e ser, ao mesmo tempo, um bom manager ou booker. O facto de o conseguirem fazer sozinhos não vos deve fazer “baratear” a importância de um management e uma agência capaz. É que um artista fazer o seu próprio management é um conflito de interesses porque vocês não se conseguem distanciar de vocês mesmos. Há muitos erros que se cometem por simples conflito de interesses. Ter um bom management e booking é fundamental para que uma carreira de um artista atinja o seu expoente máximo, e se duvidam vejam o exemplo dos grandes DJs do mundo: todos eles têm ambos, agência e manager. 

Então vamos por partes: como se estrutura o management e booking?

  1. Conhecer o artista. Qual é o ADN artístico? Quem são as referências da mesma área que podem servir de modelo ou guia? Quem é o público do trabalho do artista? Quem são as editoras onde o trabalho do artista fará sentido? Quem são os Media que podem apoiar o trabalho do artista?
  2. Elaborar um Plano. Fazer uma lista de objectivos e colocar um limite temporal a cada uma delas. Por exemplo, “editar pela Label X até final de 2019”; “Colocar o radioshow na rádio até Outubro 2019”; 
  3. Elaborar um orçamento. Nada se faz sem investimento, e isto é uma regra para qualquer carreira. À medida que sobe o cachet também sobe o nível do investimento. E investir pode significar simplesmente arranjar um designer para criar toda a identidade gráfica de um artista ou promover posts no Facebook. 
  4. Mapear os bares/clubs/eventos. Isto pode estar inserido no plano ou ser feito à parte. É fundamental que um artista conheça os locais onde faz sentido actuar e que os mapeie com o objectivo de lá chegar um dia. E aqui também ter um plano de acção, ou seja, é fundamental que visitem estes locais; que conheçam quem está à frente e planeia a parte artística; que enviem para lá informação continuamente, etc.  
  5. Mapear os Media e DJs que podem apoiar o trabalho. Não é segredo para ninguém a força que o hype e a promoção têm. Não se iludam, por mais que as redes socias vos permitam ter uma comunicação directa com o vosso público é fundamental chegar a público novo, conquistar novos fãs. E isto faz-se com exposição do vosso trabalho – seja por construir uma rede de DJs amigos a quem dão os vossos temas em antecipação, seja por manter os meios de comunicação debaixo de olho e enviar material para que eles possam trabalhar.

Vamos ao trabalho!

 

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